Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Ela dá-te tanto e tu dás-lhe tão pouco

Estão a destruir massivamente umas das coisas que mais feliz me deixa. Poucas coisas me deixavam melhor do que percorrer o caminho agrícola entre a minha aldeia e a aldeia vizinha, fosse de carro, de trator, a correr ou até mesmo a andar. Não havia nada mais purificante que olhar o verdinho fosse do meu lado esquerdo, do meu lado direito, de frente... em todas as direções e em todos os sentidos e ouvir e saborear tudo aquilo que a natureza me dispunha. Agora recuso-me a pedir à minha mãe que venha por lá, não aguento, não tenho capacidades para perceber o que ganham certas pessoas em incendiar algo que é tão perfeito, tão reconfortante.

 

 

Há também outro sítio que me fascina de forma completamente surreal, local onde por norma meditava, onde levei todas as minhas melhores amigas. Era bem lá no alto, tinha-se um vasto campo de visão, onde se tomava um banho de ar puro, de paz, um sítio de tal forma especial que eu não tenho meios para descrever as dimensões para as quais ele nos transportava, agora respira-se o cheiro a queimado. Qual não foi a minha surpresa quando no sábado de manhã acordo, abro a janela do meu quarto e lá está a parte esquerda da colina a arder, foi de tal forma aterrador para mim, que só ontem olhei para os estragos, mas o pior de tudo foi hoje, quando da janela duma sala, durante a aula de inglês, tanto eu como os meus colegas nos deparamos com uma imensa fumarada. Qual não foi o meu espanto saber que estava agora, a arder a parte esquerda. Vim de carro para casa e aquele cenário devastador fez com que qualquer coisa em mim parasse. Agarrei a cabeça, voltei a olhar, lá estavam os pinheiros centenários, que eu tão bem conhecia, abraçados por chamas de metros. Voltei a agarrar a cabeça.

 

 

 

Três bombeiros ficaram feridos, uma vasta extensão de terreno foi liquidado em meia hora, quando demorou décadas a ganhar tamanha sumptuosidade e agora tens de olhar para um solo lunar todos os dias, por muitos anos, como te sentes com isso? Achas que valeu a pena?
Tens a cabeça queimada mas o que está à tua volta não tem de ficar na mesma condição que tu. FILHO DA PUTA. 

je suis: ATERRADA
Ema H. Preston às 19:32
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